Interessante notar como as coisas
mudam, inclusive nos detalhes. O diabo mora nos detalhes, já avisa o dito
popular. No Blog do Zé a nota “Centrais e Fiesp iniciam campanha” começa com um logotipo da Fiesp. Aliás, talvez por antecipação, o Zé se
enganou, a CUT enquanto tal ainda não assinou o tal manifesto de 22 pontos em
defesa da indústria. Quem o assinou foram a CNM/CUT (Confederação dos Metalúrgicos
da CUT) e o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo. Mas representam um peso
importante no interior da Central.
José Dirceu aponta no seu texto que a
indústria caiu sua participação no PIB de 27% em 1985 para 15% hoje. Correto. E
que medidas deveríamos tomar para impedir esta queda? José Dirceu resume o
manifesto:
Estão na pauta das centrais e da FIESP
medidas para atenuar a sobrevalorização cambial, a desoneração do investimento
produtivo, o fortalecimento das estruturas de defesa comercial do Ministério do
Desenvolvimento (Mdic) e a criação de metas anuais de aumento de nível de
emprego na indústria de transformação.
Em outras palavras, o que temos é a
tentativa de fazer a guerra comercial. Zé levanta esta preocupação ao tratar do
assunto de uma forma bem melhor que o manifesto no artigo “Manufaturado Brasileiro perde espaço na América Latina” com
dados sobre a situação da guerra comercial e da entrada da China no mercado da
América Latina.
As medidas que Zé apoia e estão no
Manifesto são simples: aumentar as barreiras comerciais, não reconhecer a China
como “economia de mercado” e definir medidas de defesa comercial, política de
compras governamentais para o produto nacional e desoneração do setor
produtivo.
Sim, são medidas “sensatas” que todos
os governos do mundo estão tomando e estão levando o mundo, fruto da crise de
2008, cada vez mais para a situação da década de 1930 de uma guerra comercial.
O problema é que esta guerra não resolve em nada a situação da produção e
comercialização.
A defesa de uma melhora educacional é
justa, defende Zé em "Proposta tem que ter mais destinatários", mas educar somente, sem uma mudança
profunda no mundo não resolverão os problemas. Alias, os países europeus tem
uma alta taxa de educação e estão em crise, mostrando que as coisas não são tão
simples assim.
Repetimos: os problemas pelos quais
passa o Brasil são os problemas pelos quais passam todos os países do Mundo.
Que alguns entrem em crise antes e outros, como o Brasil, passem, por enquanto,
relativamente incólumes, é uma questão de “sorte” no mercado. Zé, os
industriais e as Centrais sindicais estão preocupados porque a crise, cedo ou
tarde, aqui chegará e o problema da industria é uma mostra disso.
Mas, para resolver a crise, as medidas
de defesa comercial não bastarão. Serão inócuas e, algumas delas, como a
“desoneração tributária” cairão em cima do colo da classe trabalhadora, que
depende dos serviços públicos de saúde e educação. Tanto é que Estados e
Municipios não querem pagar o piso salarial dos professores, fruto da “falta de
recursos”.
Alias, faria bem o Zé se fosse até o
fim na sua crítica feita aos juros "Juros ainda são o nó da questão" e relembrando uma velha (nova) bandeira da esquerda – não pagamento
dos juros! Claro que por si só isto não resolveria o problema, mas ela remete
ao centro do problema: vamos pagar os juros do sistema bancário, vamos garantir
os lucros deles ou vamos reorganizar o sistema produtivo e garantir os serviços
públicos?
E, relembrando ao Zé, para reorganizar,
para progredir, nada melhor que o socialismo.
* Luiz Bicalho é auditor fiscal da Receita Federal
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